Não deixe de dizer o seu sim a Deus para a vida religiosa dos seus filhos

Salve Maria!

Meu nome é Edna Aparecida Ferreira Alves, meu esposo se chama Jaime. Somos casados há 22 anos; moramos em Curitiba-PR. Temos seis filhos vivos e dois anjinhos no céu. Quatro dos nossos filhos entraram para a vida religiosa na Familia Religiosa do Verbo Encarnado: Verônica, com 12 anos é aspirante à religiosa; Felipe, com 16 anos, é seminarista menor; Jeremias, com 17 anos é noviço (no próximo dia 25 de março vestirá a batina), e Mater Cristi Patientis, 19 anos é monja contemplativa (em abril fará os primeiros votos).

Somos uma família humilde, mas muito agraciada por Deus, não porque merecemos, mas por pura graça de nosso Senhor, nossa família é muito unida. Ensinamos nossos filhos a serem tementes à Deus e obedientes às suas leis e preceitos, rezávamos o Santo terço em família desde que eles eram bem pequenos. Meu esposo chegava do trabalho a noite, e  logo já chamávamos todos para o nosso quarto para rezar o terço.  Sempre tinha um bebê deitado na cama e os outros ficavam ajoelhados ao redor da mesma, rezando o santo terço.  Não era fácil reunir todos eles e muito menos fazer com que ficassem quietinhos rezando, sempre tinha um que dava uma escapadinha. No começo eles vinham por obrigação e por medo, mas pela metade do terço já estavam mais atentos e comportados. Cada um rezava um mistério, pois eles gostavam de puxar as dezenas. Eram momentos em que a família se reunia em oração, cada um deles podia fazer um pedido, colocar uma intenção para aquele terço.  Era lindo e emocionante vê-los responder com suas palavras, por vezes erradas, mas sempre muito confiantes. Nesta época tinham entre 3 a 10 anos de idade. Assim, foram crescendo e o terço se tornou uma rotina no nosso lar.  Quando estavam maiores, entrando na adolescência, este era o momento mais alegre e feliz do dia, pois, entre um mistério e outro, nós conversávamos e partilhávamos muitas coisas que acontecera no dia, riamos muito e  brincávamos, meu esposo gostava muito da vida dos santos e sempre relatava algo sobre a vida deles, como viviam e de como eram dóceis a vontade de Deus. Desta forma, foram aprendendo a amar os Santos e a terem devoção por eles, foram crescendo em graça, sabedoria  e conhecimento das coisas do Céu…

Então os maiores foram procurando seus caminhos dentro da igreja… começaram a caminhar com seus próprios pés,  começaram a participar de grupos de jovens e a irem em  retiros da Igreja. Nós nunca faltávamos na Santa missa e sempre íamos todos juntos. Na época com 14 anos, minha filha mais velha começou a fazer direção vocacional com as carmelitas de Curitiba, e os dois meninos também começaram a se interessar pela vida religiosa. Com 13 e 14 anos foram pela primeira vez a um retiro vocacional em São Paulo.  Foi lá que eles descobriram que tinham vocação e escutaram o chamado de Deus em seus corações em tão tenra idade. Como os dois eram muito novos, não foram aceitos, pois a idade mínima para ingresso era de 18 anos. Quando voltaram desse retiro, meu filho, Felipe, insistiu muito para que eu descobrisse uma congregação que o aceitasse como seminarista.  Pesquisamos na internet se havia algum seminário menor, pois disseram para ele que existia em outros estados.  Como eu tinha amizade com um sacerdote no Facebook, perguntei para ele se conhecia algum bom seminário que aceitassem jovens com idade inferior a 18 anos.  Este sacerdote indicou o IVE e me passou o contato de São Paulo. Marcamos para eles conhecerem o seminário menor.  Os dois viajaram para São Paulo sozinhos, pela primeira vez.  Depois de dois dias no seminário menor, foram para a casa de meus pais que moram em São Paulo. Meu filho Felipe ligou para mim todo eufórico e feliz dizendo que queria entrar para o seminário (Antes da viagem, eu tinha falado que ele estava indo só para conhecer o seminário e não para entrar, pois era muito novo. “Tá bom mãe eu não vou entrar” – combinado!).  Jeremias gostou, mas pensava em outro instituto, não queria entrar na época. Quando o Felipe chega em casa, já no portão foi me contado tudo sobre o seminário,  todo feliz e esperançoso de que eu iria deixar ele entrar. As palavras dele para me convencer foram: “mãe… mãe, por favor, deixa. Se você não me deixar entrar agora, posso perder minha vocação…”. Ele disse quase chorando, olhando bem nos meus olhos, não tinha como dizer não, estava tão feliz. 

Eu não podia não deixar. Não era justo, não me era permitido dizer não a ele e a Deus, acima de tudo, pois sabia que era Deus quem o estava chamando para a sua vinha.  Nesse momento me  lembrei de que quando pessoas que nos perguntavam: “ nossa! Como vocês são loucos de colocar tantos filhos assim  em um mundo como o de hoje…?” , nós respondíamos: “nossos filhos não são para o mundo são para Deus!” .  Então, fui me conformando com a vocação e o chamado de Deus na vida de cada um deles. Não  vou dizer que foi  fácil fazer a vontade de Deus, não foi fácil deixar eles irem para tão longe de nós.  Éramos felizes. Sempre estávamos juntos , amávamos estar perto um do outro, com nossos filhos (pois  mesmo adolescentes não saiam de perto de nós), íamos para a Santa Missa todos os domingos juntos, tomávamos o café da manhã juntos e depois almoçamos  todos ao redor da  mesa. Choro só de lembrar o quanto éramos felizes.

Mas Deus é maravilhoso, bondoso e providente sempre! Ele não tirou nossos filhos de nós. Ele apenas levou o que já era dele; os levou para a vida religiosa para que pudessem ser mais felizes ainda, e poderem fazer a diferença no mundo de hoje com essa entrega à Ele sem restrição, sem medo de fazer o que Deus pede a eles.  Deixar pai, mãe, família , também não é fácil para eles, nós sabemos, mas também sabemos que eles estão felizes, apesar das dificuldades que passam e da distância que nos separam fisicamente um do outro. Contudo, para o coração não existe distância, não existe separação.  Eles nos diziam quando foram embora: “mãe, pai, nós nos encontraremos na Santa Missa, no sacrifício do altar”.

Também é certo o que dizem os ensinamentos dos santos da nossa Igreja :  “quando Deus chama um filho ou uma filha para a vida religiosa, Ele mesmo, nosso Senhor,  vem e toma o lugar dele no lar”.  Isso é verdade! É sobrenatural!  Eu sinto a presença de Jesus em casa; às vezes choro sim, e muito; sinto demais a falta deles. Dói e dói muito; o coração de mãe aperta dentro do peito, mas não é um choro de tristeza ou de desespero pela falta deles e sim, um misto de alegria, de contentamento e de gratidão a Deus por tamanha graça, isto é, de ter chamado para sua obra um ser humano tão querido, tão amado, e que é sangue do seu sangue, carne da sua carne.  Depois o choro vai embora e sinto o conforto e a conformidade com a vontade de Deus.

Um dia, minha filha Mater Cristi Patientis me disse assim: “Porque a maior prova de amor que Deus dá a uma mãe é a de chamar seus filhos para a vida religiosa”. Também esta outra frase de uma Santa… “Que alegria pensar que no céu, um dia estaremos reunidos para não mais nos separarmos”. Sem esta esperança, verdadeiramente, a vida seria insuportável.  Estas frases me consolam  quando a saudades se faz pressente, e as lágrimas vem aos olhos.

Hoje, acreditamos verdadeiramente que Deus tem um propósito na vida de cada um de nossos filhos.  Temos em casa o Samuel, que é o mais velho com 20 anos, e a Esther, com 14.  Estou preparada para entregá-los a Deus, se Ele, um dia, os chamar também, pois, realmente sabemos que eles são de Deus e para Deus e um dia irão partir, seja para a vida religiosa ou para a vida matrimonial. E sabemos que, seja qual for a vocação que Deus sonhou para eles desde toda a eternidade, um dia se realizará.

Somos felizes como pais e mães de homens e mulheres tementes e obedientes a voz e a vontade de Deus. Um conselho de uma mãe para outras mães e pais: não deixe de dizer o seu sim a Deus para a vida religiosa dos seus filhos, pois, vocês não os estarão perdendo, ao contrário, estarão ganhando muitos outros filhos espirituais, pois, a partir do sim de  seus filhos a vontade de Deus e ao seu chamado, muitos outros se achegarão a vocês. Nunca estarão sozinhos! Somos uma família, pais, mães e filhos comprometidos com a vontade de Deus.  Não somos deste mundo, nenhum de nós! E a felicidade verdadeira está em fazer a vontade de Deus, mesmo que isso nos custe lágrimas de saudades daqueles que, por tão pouco tempo, estiveram conosco, que embalamos em nossos braços, aconchegamos junto ao nosso peito.  Talvez essa seja a nossa Cruz… Então, abracemo-la! E deixemos nossos filhos fazerem o que vieram para fazer, que sejam sementes de novos cristãos e formem outros cristãos para Deus e para o céu!

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