Em que consiste a vida do monge?

A vida monástica se chama assim porque vem de monos (“um” em grego), e significa que o monge se dedica somente a uma coisa – como disse Jesus a Marta no Evangelho –, à única coisa importante: a Deus. O monge consagra sua vida totalmente a Deus e só a Ele, e daí a necessidade de afastar-se e viver em clausura (não por medo e nem por desprezar os homens… não é isso, de modo algum, mas sim para poder dedicar-se em corpo, alma e afetos, somente a Deus), a amá-lo e servi-lo por todos os homens que não o amam nem o servem.

Deus é um Deus zeloso (Ex 20,5) e por isto é que esta consagração deve ser total, entregando todo o corpo, a alma e os afetos a Deus. A partir daí se seguem algumas disposições mínimas para quem deseja ser monge:

– O desejo de consagrar-se totalmente a Deus, não buscando nesta vocação uma escapatória aos problemas que se pode ter.

– O desejo do abandono total em Deus, quer dizer, não ter outro compromisso diante de Deus, como acontece com quem está casado. Quem está casado pela Igreja já contraiu diante de Deus o compromisso de santificar-se no matrimônio. Do mesmo modo, quando alguém tem filhos, diante de Deus tem a responsabilidade de educá-los na fé e levá-los pelo caminho da santidade.

– Ter uma vida intensa de Fé, quer dizer, crer nas verdades que a Igreja Católica professa, vivê-las e praticá-las, pois essas verdades são fundamento para a união com Deus, fim essencial e imediato da vocação monástica.

E como o amor a Deus vai unido ao amor ao próximo (como diz São João em sua carta: “Não se pode amar a Deus que não se vê, se não se ama ao próximo que se vê”) a vida contemplativa implica também uma entrega generosa aos homens. De fato, toda a vida de oração e penitência se oferece pela salvação e santificação dos homens, dos que nos pedem orações, dos que sofrem, dos que não conhecem a Deus etc.

Realmente é um grande presente de Deus poder viver dedicados a Ele e, ao mesmo tempo, a todos os homens, pois são inumeráveis os que nos pedem diariamente orações, ajuda, conselhos etc. Além disso, o monge ajuda o mundo só com sua presença, pois é um testemunho vivo, em meio a tanto materialismo, de que Deus existe, de que temos uma alma e o que mais importa é salvá-la. O monge, enquanto vive, dá sua vida por amor a Deus e ao próximo. Por isso, em certo modo, se assemelha ao mártir, enquanto deve ter sua mesma disposição interna: “dar a vida por Cristo”.

E vive ademais como uma antecipação do Céu, pois o céu é ver face a face a Deus e gozar para sempre de sua presença, e isso é o que busca viver o religioso e especialmente o monge, já aqui na terra. Por isso o nome de sua vocação: “contemplativa”.

OS MONGES NOS CONTAM COMO  É SUA VIDA NO MOSTEIRO DO PUEYO, NA ESPANHA.

O horário é assim: às 5h nos levantamos, logo cantamos o Ofício de leituras, em seguida fazemos meia hora de oração mental com o Santíssimo exposto e depois temos a Santa Missa com a oração das Laudes. Segue-se o café da manhã. Uma hora de  Lectio Divina (leitura, oração e meditação da Palavra de Deus). Cantamos os salmos de hora tercia (9h da manhã).  3 horas de trabalho manual (variados: horta, limpeza, animais, sacristia, cozinha, banheiros, doces etc). Canto da hora Sexta (12h30min). Almoço (segunda e sexta oferecemos ao Senhor um jejum). Sesta optativa. Às 15h cantamos os salmos da hora Nona. Logo temos tempo de cela (assim se chama o pequeno quarto de cada monge) até às 19h, quando se expõe o Santíssimo e cantamos Vésperas e temos uma hora de adoração e meditação pessoal, finalizada com a benção do Santíssimo. Logo a colação (algo mais leve que uma janta, geralmente uma sopa ou algo assim). Por último, cantamos os salmos das Completas (a oração da noite, para pedir um bom descanso) e vamos descansar. Todo o dia estamos em silêncio: durante o café da manhã e o almoço, lemos alguma leitura espiritual, para que seja refeição do corpo e também do espírito. Na janta se rompe o silêncio para fazer uma hora de recreação (ou seja, em que se pode falar e compartilhar com os demais monges).

A intenção do silêncio é não se distrair com os homens, e poder falar com Deus. Deve ser sobretudo silêncio interior, estar realmente unidos e atentos a Deus, a mente e coração devem estar só Nele.

Aos domingos, por ser dia de festa, nos levantamos um pouco mais tarde, e podemos falar e nos recrear durante todo o dia. Evidentemente se rezam todas as horas do Ofício, e todos os salmos cantados: sete vezes ao dia (como canta o Rei Davi) se cantam os salmos: Ofício, laudes, terça, sexta, nona, vésperas e completas.

É certamente uma vida com mais oração e sacrifício, uma vida de mais entrega. Queremos ser vítimas com a Vítima do Calvário, Jesus, que morreu por todos.

E isso mesmo faz com que seja uma vida de grande alegria, pois Deus não se deixa ganhar em generosidade!  Se vive – se busca viver – na caridade e na paz, antecipação do Céu, imersos em uma alegria sobrenatural, a alegria de estar com Deus e de saber que nos espera, após este desterro, a Vida Eterna.

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