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É DIFÍCIL DECIDIR SOBRE UMA VOCAÇÃO?

Não é assim tão difícil, embora não seja para ser tomado de ânimo leve. Deus certamente chama! E o seu apelo exige que o jovem se coloque num certo estado para a vida, um estado do qual todo o seu futuro dependerá, tanto neste mundo como no próximo. Deus não pode, portanto, esperar que o jovem faça essa escolha se não estiver seguro do que está a fazer. E, por conseguinte, deve também dar-lhe uma certa facilidade para conhecer com certeza a sua vontade.

Deus normalmente dá uma certa facilidade para nos ajudar a fazer as coisas necessárias e por isso é fácil de comer, respirar ou rezar. Pois para escolher bem o estado da nossa vida é uma coisa necessária para nós, para a Igreja e para as almas, portanto, Deus deve fazer tal escolha de uma certa forma fácil.

Lessio diz: “Se alguém chega à determinação de abraçar a religião e está decidido a observar as regras e as suas obrigações, não há dúvida de que esta resolução, esta vocação, vem de Deus; independentemente das circunstâncias que a trouxeram”. “Não importa como começamos”, diz São Francisco de Sales, “desde que estejamos determinados a perseverar e a terminar bem”. E Santo Tomás de Aquino afirma corajosamente que “não importa de que fonte vem a nossa resolução de entrar na religião; vem de Deus”; enquanto o P. Suárez conclui que “geralmente o desejo de vida religiosa vem do Espírito Santo e como tal devemos recebê-lo”.

No entanto, nunca se debe permitir que o jovem seja apressado. Uma vocação é bem examinada, pesada, testada com calma e constância, com seriedade e com inteligência. Não permitir que o futuro de um jovem seja fundado sobre um “talvez”.

AS VÁRIAS FORMAS PELAS QUAIS O SENHOR SE MANIFESTA NORMALMENTE?

 

  • Diretamente: ou seja, quando o próprio Deus, através de uma visão ou com uma inspiração muito clara, nos dá a entender de uma forma que não admite qualquer tipo de dúvida sobre o caminho a seguir. Foi isto que Deus fez com São Paulo, chamando-o de uma forma milagrosa e muito clara no caminho para Damasco.

 

  • Mais frequentemente, o Senhor faz-se sentir ao dar ao jovem muita clareza e segurança vinda de consolações e convicções que fazem sentir a vocação. O jovem sente-se fortemente atraído pela vida religiosa; para ele não há outro ideal, não pode duvidar que este seja o seu caminho; quando pensa na vocação sente-se feliz, está cheio de entusiasmo e está pronto para qualquer luta ou sacrifício a fim de se tornar um religioso, um salvador de almas. Ele terá tentações, momentos de dúvida e desânimo, mas compreenderá que são tentações que em breve passarão e o deixarão de novo calmo, leve e com total segurança.

 

  • Tempo de calma. Decisão baseada no raciocínio. São aqueles que não se sentem sensivelmente movidos pela graça, mas que estão num estado de absoluta tranquilidade. Não devem portanto acreditar que não têm vocação, mas também eles devem fazer a sua escolha e considerar logicamente para que foram criados, qual é o fim da sua vida na terra, qual o caminho mais adequado para eles, a fim de alcançarem melhor, mais facilmente e com maior segurança o seu fim último.

COMO NOS DEVEMOS COMPORTAR QUANDO NOS FALAM PELA PRIMEIRA VEZ DE VOCAÇÃO?

Em primeiro lugar é necessário encorajar a pessoa, mas não devemos contentar-nos com agradáveis palavras de louvor; depois devemos seguir com instruções sérias e sólidas sobre o significado da vocação e sobre o caminho para ver se Deus está realmente a chamar ou não. Encorajar com seriedade, dando uma ideia clara do que é a vocação, dos consolos e sacrifícios que ela implica, e explicando ao jovem como ele pode vir a ver se tem ou não uma verdadeira vocação.

Nem tudo de uma só vez. Vamos dar tempo à graça de penetrar e saturar o solo. Mais tarde falaremos dos sinais de vocação e depois da forma como a escolha é feita. Entretanto, deixem-no perguntar e rezar muito.

Oração pelas Vocações – S. João Paulo II

Espírito de Amor eterno,
que procedes do Pai e do Filho,
nós te agradecemos por todas as vocações
de apóstolos e de santos que fecundaram a Igreja.
Nós te suplicamos: continua ainda essa tua obra!
Recorda-te de quando, no dia de Pentecostes,

desceste sobre os Apóstolos reunidos em oração
com Maria, a mãe de Jesus,
e olha para a tua Igreja que hoje
tem uma necessidade especial de sacerdotes santos,

de testemunhas fiéis e legítimas da tua graça;
ela precisa de consagrados e consagradas
que revelem a alegria de quem vive só para o Pai,
de quem faz sua a missão e a oferta de Cristo,
de quem, com a caridade, constrói o mundo novo.
Espírito Santo, Fonte perene de alegria e de paz,

és Tu que abres ao divino chamado o coração e a mente;
és Tu que tornas eficaz todo impulso
para o bem, a verdade, a caridade.

Do coração da Igreja que sofre e luta pelo Evangelho,
sobem ao Pai os teus ‘gemidos inexprimíveis’.

Abre os corações e as mentes dos jovens e das jovens,
para que uma nova florescência de santas vocações
revele a fidelidade do teu amor,
e todos possam conhecer Cristo,
luz verdadeira vinda a este mundo
para oferecer a cada ser humano
a firme esperança da vida eterna. Amém.

S. João Paulo II